PERCEPÇÃO DE RISCO À SAÚDE E EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS EM BOMBEIROS MILITARES DE BELO HORIZONTE-MG

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56914/vigiles.v8n1a12

Palavras-chave:

toxicologia ocupacional, percepção de risco, bombeiros militares, doenças ocupacionais

Resumo

A exposição ocupacional a incêndios florestais representa um risco significativo para a saúde de bombeiros, sendo a toxicologia ocupacional uma área crítica para o estudo de seus impactos. Este estudo transversal e descritivo teve como objetivo avaliar a percepção de risco à saúde e os sintomas associados à exposição à fumaça em 145 bombeiros militares de Belo Horizonte - MG, comparando os grupos de atuação administrativa (GAD) e operacional (GOP). Os dados foram coletados por meio de um questionário e examinados com estatística descritiva e testes de associação Qui-quadrado e Fisher. Os resultados revelaram que 92,41% dos participantes relataram pelo menos um sintoma após a exposição, com alta prevalência de dor de cabeça, irritação ocular e tosse. A análise por sistemas evidenciou que o sistema respiratório é o mais afetado, com o GOP apresentando uma carga sintomatológica mais elevada (mediana de 6 sintomas) do que o GAD (mediana de 4). De modo geral, a maior frequência de sintomas elencados pelo GOP pode estar relacionado à maior exposição ocupacional que reflete em uma maior percepção do risco. Diante desses achados, o estudo destaca a necessidade urgente de equipamentos de proteção respiratória específicos para incêndios florestais e a importância de programas de conscientização sobre os efeitos crônicos da exposição. As evidências sugerem que a percepção de risco dos bombeiros, embora concentrada em sintomas agudos, é um fator crucial para guiar futuras pesquisas científicas e o desenvolvimento de estratégias de saúde ocupacional mais eficazes.

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Biografia do Autor

  • Rafael Araújo Silva, Universidade Federal de Alfenas

    Farmacêutico formado pela Universidade Federal de Alfenas (2021). Doutorando em Ciências Farmacêuticas pela UNIFAL-MG. Mestre em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Análises Clínicas e Toxicológicas pela UNIFAL-MG (2024), com estudos focados em Toxicologia Ocupacional para avaliação da exposição de grupos de trabalhadores expostos a xenobióticos para realização de Avaliação de Risco. Possui Especialização em Gestão Estratégica em Saúde pelo IFMG (2024). Tem curso técnico em Química Industrial pelo CEFET-MG (2014). Atuou durante a graduação em diversas iniciações científicas nas áreas de cultivo celular, síntese de compostos orgânicos e planejamento de fármacos utilizando estratégias computacionais. Atuou durante a gradução em atividades de extensão relacionadas ao Cuidado Farmacêutico pelo Núcleo de Atenção Farmacêutica da Unifal-MG, realizando atividades como: educação em saúde, análise de prescrição, acompanhamento domiciliar e consulta farmacêtucia.

  • Maria José Nunes de Paiva, Universidade Federal de Minas Gerais

    Possui graduação em Farmácia Bioquímica pela Universidade Federal de Alfenas (1999), mestrado em Toxicologia e Análises Toxicológicas pela Universidade de São Paulo (2003) e doutorado em Quimica pela Universidade Federal de Minas Gerais (2013). Atualmente é professor Adjunto IV da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Farmácia, com ênfase em Farmácia, atuando principalmente nos seguintes temas: toxicologia ocupacional, biomarcadores,Metabolômica, solventes, hepatotoxicidade. 

  • Isarita Martins, Universidade Federal de Alfenas

    Doutora em Toxicologia, pela USP/SP, com modalidade sanduíche, bolsista CAPES, na Universidade degli Studì de Brescia, Itália, e pós-doutora, na área de Química Analítica, Instituto de Química da UNICAMP. Trabalhou na ANVISA, na Gerência Geral de Medicamentos, na avaliação de estudos de bioequivalência de medicamentos genéricos, de 2003 a 2005. Na UNIFAL-MG, é professora Titular, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, desempenhando atividades de ensino, pesquisa e extensão, tais como docência em vários cursos de graduação e no PPGCF, vice-chefia do Laboratório de Análises de Toxicantes e Fármacos (LATF) e coordenação da LATOX- UNIFAL-MG, com o projeto de extensão Desmistificando a Toxicologia, que proporciona vivências teórico-práticas aos membros da Liga, à comunidade acadêmica e à sociedade civil. É membro da Sociedade Brasileira de Toxicologia, atuando na diretoria, nos biênios 2017-2019 e 2019-2021, e integrando atualmente o Grupo Especializado em Toxicologia Ocupacional (GETox- Ocupacional). Possui várias publicações científicas: 64 artigos, 1 livro e 9 capítulos, com destaque para os capítulos - Validação Analítica (duas edições do livro Toxicologia Analítica, editora Guanabara Koogan) e Monitoramento Ambiental e Biológico (duas edições do livro Fundamentos de Toxicologia, editora Atheneu). Até o presente momento, concluiu a supervisão de 1 projeto de pesquisa de pós-doutorado, com bolsa PNPD-Capes, orientação de 5 teses de doutorado, 12 dissertações de mestrado, no PPGCF, mais de 30 discentes de graduação, bolsistas e voluntários, de programas de iniciação e/ou trabalhos de conclusão de curso. Atualmente, orienta 8 discentes de graduação, bolsistas e voluntários, e 2 alunos de doutorado no PPGCF. Tem 1 patente concedida em 2024. Coordenou vários projetos de pesquisa, com fomento de agências, além de colaborar em vários outros na área. Atua em linha de pesquisa relacionada à Avaliação do risco da exposição às substâncias químicas, com ênfase em Exposição às Misturas, nas área de Toxicologia Ocupacional, Toxicologia de Alimentos e Toxicologia de Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal.

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Publicado

10-12-2025

Como Citar

SILVA, Rafael Araújo; PAIVA, Maria José Nunes de; MARTINS, Isarita. PERCEPÇÃO DE RISCO À SAÚDE E EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS EM BOMBEIROS MILITARES DE BELO HORIZONTE-MG. Vigiles, Belo Horizonte, Brasil, v. 8, n. 1, p. 1–26, 2025. DOI: 10.56914/vigiles.v8n1a12. Disponível em: https://vigiles.bombeiros.mg.gov.br/index.php/cbmmg/article/view/91. Acesso em: 3 abr. 2026.

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